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Janeiro / 2011
Os caminhos e desafios do escritor brasileiro

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Darcy Ribeiro

 

 

"Fracassei em tudo o que tentei na vida.

Tentei alfabetizar as crianças brasileiras, não consegui.

Tentei salvar os índios, não consegui.

Tentei fazer uma universidade séria e fracassei.

Tentei fazer o Brasil  desenvolver-se autonomamente e fracassei.

Mas os fracassos são minhas vitórias.

Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu"

 

 

 

 

 

 

O legado do Camaleão

 

Darcy Ribeiro nasceu em Montes Claros, Minas Gerais em 26 de outubro de 1922. Iniciou sua vida acadêmica no curso de Medicina, a pedido de sua mãe, mas não se adaptou, e mudou para Antropologia, formando-se em 1.946. Dedicou seus primeiros anos de vida profissional ao estudo dos índios do Pantanal, do Brasil Central e da Amazônia, quando fundou o Museu do Índio. Escreveu uma vasta obra em defesa da causa indígena, de importância internacional.

 

Nos anos seguintes, dedicou-se à educação. Fundou a Universidade de Brasília às custas de muita luta, e foi seu primeiro Reitor. Sua meta era favorecer a pesquisa na universidade para a solução dos problemas nacionais. Também Ministro da Educação, e mais tarde, Ministro-Chefe da Casa Civil de João Goulart. Recebeu títulos de Doutor Honoris Causa de Sorbonne, da Universidade de Copenhague, da Universidade do Uruguai e da Universidade da Venezuela

 

Darcy foi contundente, polêmico e revolucionário em sua incansável luta para construir um modelo desenvolvimento justo para todos os cidadãos, através da educação. Considerava o sistema educacional brasileiro elitista porque excluía as crianças de classes populares.

 

Lançado ao exílio em 1.964 pelo golpe militar, viveu em diversos países da América Latina, onde desenvolveu projetos de reforma universitária, chegando a ser assessor do Presidente Salvador Allende, no Chile, e de Velasco Alvarado, no Peru. Neste período escreveu obras de valor inestimável, tratando do desenvolvimento desigual dos povos americanos.

 

Retorna ao Brasil em 1.976, mas só foi anistiado 4 anos mais tarde, quando retomou suas atividades na área de educação. Em 1982, foi eleito vice-governador do Rio, na chapa de Leonel Brizola, quando acumulou funções de Secretário de Cultura e coordenador especial do Programa Especial de Educação, com a incumbência de implantar 500 CIEP´s no Estado do Rio de Janeiro. Criou também a Biblioteca Pública Estadual, a Casa França-Brasil, a Casa Laura Alvim, o Centro Infantil de Cultura de Ipanema e o Sambódromo, onde promoveu adaptações para fazê-lo funcionar também como uma enorme escola primária.

 

Elegeu-se Senador em 1.990, onde defendeu uma lei de trânsito para proteger os pedestres, sugeriu novas regras para a política de transplantes. No Senado Federal, publicou a revista Carta, relatando e discutindo os principais problemas do Brasil. Também colaborou para o o tombamento de 98 quilômetros de praias e encostas, e mais de mil casas do Rio antigo.

 

Em 1992, trabalhou na consolidação da nova Universidade Estadual do Norte Fluminense e revitalizou a Floresta da Pedra Branca, numa área de 12.000 hectares.

 

Em 1.993 toma posse na Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira nº 11, que foi de Deolindo Couto.

 

Em 1995, lançou o livro, O povo brasileiro, que compila seus estudos na área da Antropologia. Lançou ainda, um livro para adolescentes, Noções das coisas, com ilustrações de Ziraldo. Em 1996, entregou à Editora Companhia das Letras suas anotações do convívio com os índios Urubu-Kaapor, da Amazônia.

 

Obras

 

ETNOLOGIA: Culturas e línguas indígenas do Brasil (1957); Arte plumária dos índios Kaapo (1957); A política indigenista brasileira (1962); Os índios e a civilização (1970); Uira sai, à procura de Deus (1974); Configurações histórico-culturais dos povos americanos (1975); Suma etnológica brasileira, em colaboração com Berta G. Ribeiro (1986, 3 vols.). ANTROPOLOGIA DA

 

CIVILIZAÇÃO: O processo civilizatório - Etapas da evolução sócio-cultural (1978); As Américas e a civilização - Processo de formação e causas do desenvolvimento cultural desigual dos povos americanos (1970); O dilema da América Latina - Estruturas do poder e forças insurgentes (1978); Os brasileiros - 1. Teoria do Brasil (1972); Os índios e a civilização - A integração das populações indígenas no Brasil moderno (1970); The Culture - Historical Configurations of the American Peoples (1970; edição brasileira, (1975); O povo brasileiro - A formação e o sentido do Brasil (1995).

 

ROMANCE: Maíra (1976); O mulo (1981); Utopia selvagem (1982); Migo (1988).

 

ENSAIOS: Kadiwéu - Ensaios etnológicos sobre o saber, o azar e a beleza (1950); Configurações histórico-culturais dos povos americanos (1975); Sobre o óbvio - Ensaios insólitos (1979); Aos trancos e barrancos - Como o Brasil deu no que deu (1985); América Latina: a pátria grande (1986); Testemunho (1990); A fundação do Brasil - 1500/1700 - em colaboração com Carlos Araújo Moreira Neto (1992); O Brasil como problema (1995); Noções de coisas. Com ilustrações de Ziraldo (1995).

 

EDUCAÇÃO: Plano orientador da Universidade de Brasília (1962); A Universidade necessária (1969); Propuestas - Acerca da la Renovación (1970); Université des Sciences Humaines d’Alger (1972); La Universidad peruana (1974); UnB - Invenção e descaminho (1978); Nossa escola é uma calamidade (1984); Universidade do terceiro milênio - Plano orientador da Universidade Estadual do Norte Fluminense (1993). Obras suas foram traduzidas para o inglês, o alemão, o espanhol, o francês, o italiano, o hebraico, o húngaro e o tcheco.

 

Darcy Ribeiro estudou a fundo uma enorme variedade de assuntos ao longo de toda a sua carreira. Suas ações, também não foram poucas. Ele mesmo considerava-se “um homem de muitos fazimentos”, e com disposição para muito mais, não fossem as limitações políticas que lhe foram impostas. Foi sem dúvida, um de nossos maiores intelectuais, não só pelo valor de suas obras, mas pela diversidade das áreas em que contribuiu. Foram poucas as pessoas com o mesmo quilate.

 

Darcy Ribeiro faleceu em 17 de fevereiro de 1997. No seu último ano de vida, dedicou-se especialmente a organizar a Universidade Aberta do Brasil, com cursos de educação a distância. Disse uma vez que “Só há duas opções nesta vida: se resignar ou se indignar. E eu não vou me resignar nunca”.

 

 

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